quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

LGBTQIAPN+, sim! E se precisar, vamos usar todas as letras do alfabeto para legitimar as existências!

 

Descrição da imagem #pratodesverem: tenho cabelo trançado com fios rosa;
brincos de lantejoulas rosa e máscara de carnaval de penas coloridas. Sorrio

Estudo e trabalho com a temática deficiência e acessibilidade desde o final da década de 1990. Aprendi com os movimentos sociais e com os ativistas da área da deficiência e acessibilidade que "os termos legitima as conquistas".

Uso essa orientação, de respeitar termos, em meu relacionamento com todos os segmentos e grupos de diversidade com os quais trabalho enquanto advogada de Direitos Humanos. Os termos legitimam as conquistas!

Em vivências e momentos do movimento LGBTQIAP+, com os quais trabalho mais fortemente desde 2010, percebi que infelizmente é comum as pessoas reclamarem da sigla, alegando que ela vive em constante mutação. Sempre escuto alguém que reclama e lembra que "começou GLS; que foi passando para LBT; GLBT; LGBTT..." e critica que a sigla não para de crescer!

Tem muita gente que diz achar desnecessário esses constantes ajustes. E faz gracinhas tipo "movimento LGBTPQRSTUVXZ". Diz que vai faltar letra no alfabeto. Normalmente, quem reclama não é pessoa LGBTQIAPN+ e talvez não perceba a importância de ver uma existência diferente da sua legitimada.

"Os termos legitimam as conquistas". Lembro dessa lição e independente do movimento e da luta eu me esforço para utilizar os termos corretos. Quando a sigla LGBT muda sugerindo a visibilização de novas identidades, eu paro e me concentro em decorar a pronúncia com a letrinha nova, em respeito às pessoas. Parece bobagem, mas é importante nos sentir representados. Ver a letrinha que visibiliza minhas especificidades se juntar à sigla e sentir que sou percebido.

O uso da terminologia correta é um passo importante na luta por direitos. Esse reconhecimento linguístico ajuda a enfrentar o estigma associado à sexualidade e ao gênero das pessoas, quando diferentes dos padrões biológicos e da anatomia dos corpos binários.

Os termos corretos promovem uma visão mais inclusiva e respeitosa, compreendendo a existência de outras orientações, identidades e expressões humanas. Respeitá-los é um gesto de apoio e compreensão à jornada de cada pessoas em busca de autoconhecimento e autêntica expressividade.

O uso da terminologia inclusiva tem implicações práticas e efeitos psicológicos significativos. Quando tratadas de forma respeitosa e que visibiliza suas especificidades, as pessoas se sentem validadas e compreendidas. O reconhecimento das individualidades e da legitimidade dessas experiências individuais aumentam a autoestima e promovem a saúde mental.

A linguagem tem poder. Utilizá-la de forma a validar e respeitar as diversas formas de expressão das identidades é simples, mas fundamental. Termos corretos não só legitimam existências individuais, mas também favorecem lutas coletivas, contribuindo para a construção de uma sociedade mais livre, isonômica, justa, inclusiva e solidária.

Então, por que não LGBTQIAPN+ ou tantas letras quantas forem necessárias para visibilizar e legitimar a existência das pessoas!?

#DireitosHumanos #Diversidade #Inclusão #DiversidadeSexual #OrientaçãoDeGênero #DEI #Respeito #OsTermosLegitimaAsConquistas #LBTTQIAP+


* Texto publicado em meu perfil de LInkedin em 4 de julho de 2024

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